CINTESIS/FMUP analisam 16 anos de hospitalizações por doença inflamatória intestinal

//CINTESIS/FMUP analisam 16 anos de hospitalizações por doença inflamatória intestinal

CINTESIS/FMUP analisam 16 anos de hospitalizações por doença inflamatória intestinal

Em Portugal, as rehospitalizações por doença inflamatória intestinal (DII), que inclui a doença de Crohn e a colite ulcerosa, custam cerca de 3,1 milhões por ano.

As contas são feitas num estudo desenvolvido por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do CINTESIS e publicado no jornal científico “Therapeutic Advances in Gastroenterology”.

O trabalho, coordenado por Cláudia Camila Dias (FMUP/CINTESIS) e Fernando Magro (FMUP/CHSJ), tinha como objetivo calcular o peso das rehospitalizações de doentes que sofrem de doença inflamatória intestinal e identificar os principais fatores de risco. Nesse sentido, foram avaliadas cerca de 48 mil hospitalizações relacionadas com a doença registadas entre 2000 e 2015 através de uma base de dados administrativa fornecida pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).

Os investigadores concluíram que 33% das hospitalizações por doença inflamatória intestinal registadas nos hospitais públicos portugueses são rehospitalizações, tendo-se verificado um aumento de 12% nos 16 anos do estudo.

Ao todo, foram contabilizadas quase 16 mil rehospitalizações por doença inflamatória intestinal. A esmagadora maioria é por doença de Crohn (77%). Destes doentes, a maior parte tem idades entre os 20 e os 39 anos e é do sexo feminino.

O custo médio com essas rehospitalizações também regista uma subida: dos 14.589 euros por hospitalização/ano, em 2000, passa-se para 17.548 euros por hospitalização/ano, em 2015. Só neste ano, elas custaram 3,1 milhões de euros. É sensivelmente o dobro dos custos totais com as hospitalizações relacionadas com a doença.

Entre os fatores de risco para novas hospitalizações entre estes doentes estão a idade abaixo dos 20 anos e a ocorrência de doença penetrante (caracterizada por perfuração abdominal, fístulas ou abcesso), na doença de Crohn. Já na colite ulcerosa, salientam-se os hábitos tabágicos, a malnutrição, a anemia e a perda de peso, além da cirurgia de estoma (abertura feita no intestino).

A equipa, que tem Mafalda Santiago (investigadora da FMUP e do CINTESIS) como primeira autora e conta com membros do Grupo de Estudos da de Doença Inflamatória Intestinal (GEDII), conclui que estas rehospitalizações têm de ser “monitorizadas de perto” e que devem ser feitos “esforços para reduzir os seus fatores de risco, de modo a melhorar a qualidade dos cuidados e, consequentemente, reduzir o peso da doença” no nosso país.

A doença inflamatória intestinal é uma doença crónica mediada pelo sistema imune, cujas causas se mantêm por esclarecer, associando-se a custos económicos significativos, quer diretos (internamentos e tratamentos), quer indiretos (baixas médicas, perdas de produtividade, etc.). Estima-se que afete aproximadamente 0,3% da população portuguesa, uma percentagem que deverá aumentar nos próximos anos.

Por | 2020-05-28T17:30:05+00:00 Maio 28th, 2020|Categorias: Investigação|Tags: , , , , |Comentários fechados em CINTESIS/FMUP analisam 16 anos de hospitalizações por doença inflamatória intestinal

Sobre o Autor:

Termos e Políticas de utilização

O website www.cintesis.eu é um website pertencente ao CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, tendo como objetivo a prossecução das atividades realizadas no âmbito desta Unidade de I&D da Universidade do Porto e sua divulgação para o público em geral. Por favor, leia atentamente os termos e condições de utilização antes de utilizar este website.
  • Os utilizadores declaram conhecer, compreender, aceitar e cumprir integralmente os termos e condições de utilização deste website.
  • Os utilizadores obrigam-se a respeitar os direitos de autor, direitos conexos e de propriedade intelectual do CINTESIS, dos seus promotores e colaboradores.
  • Os utilizadores obrigam-se à proibição de copiar, divulgar, transmitir, reproduzir ou difundir materiais publicados neste website, respeitando os direitos legais sobre os mesmos, exceto em caso de uso livre autorizado por lei, nomeadamente o direito de citação, desde que a sua origem seja claramente identificada.
  • Os utilizadores comprometem-se a não veicular através deste website qualquer tipo de conteúdo ofensivo, difamatório, discriminatório, racista, obsceno ou violento.
  • O CINTESIS encontra-se ligado a websites externos sobre os quais não tem qualquer controlo e pelos quais não assume qualquer responsabilidade.
  • O CINTESIS não se responsabiliza por quaisquer anomalias ou danos que possam derivar da utilização do website, designadamente por vírus causados pelo acesso a hiperligações disponibilizadas.
  • Os utilizadores declaram-se totalmente responsáveis por quaisquer danos que venham a provocar, quer ao CINTESIS, quer a terceiros, pelo não cumprimento dos termos e condições aqui descritos, bem como pelo não cumprimento das normas legais.
  • O CINTESIS pode suspender ou alterar os presentes termos e condições, sem aviso, a todo e qualquer momento.
  • As questões constantes dos termos e condições são reguladas pela legislação portuguesa em vigor.